Linguagem da internet: como lidar com essa realidade no aprendizado

Conhecida como internetês ou netspeak, a linguagem da internet é uma realidade desde meados dos anos 90. Com certeza, você a utiliza diariamente em aplicativos sociais, como Facebook, WhatsApp e Instagram. Tratando-se de uma linguagem mais informal ou popular, é comum o emprego de gírias, imagens, gifs, emojis, memes e abreviações.

É importante destacar que a informalidade desse código de comunicação é válida nesses espaços citados, o que não é necessariamente algo ruim ou errado, pois ela funciona bem nesses meios, tornando-a uma linguagem eficiente. Apesar disso, o uso rotineiro e constante dessa escrita traz uma preocupação para os educadores. A questão levantada é se a utilização da internet influencia a linguagem da criança e se isso pode prejudicar o seu aprendizado.

Neste post, vamos conhecer mais o internetês e expor como ele pode impactar a vida escolar, além de dar algumas dicas para lidar com essa realidade. Continue a leitura!

O que é a linguagem da internet?

O netspeak surgiu pela primeira vez na década de 90 e ganhou força com o “nascimento” das redes sociais, dos aplicativos de mensagens instantâneas, dos blogs etc. A informalidade desse tipo de linguagem tem por objetivo agilizar a comunicação e torná-la mais próxima da fala.

As principais características são as abreviações, a ortografia adaptada e o uso de emojis e gifs. Essas configurações do código linguístico são de fácil entendimento e caracterizam uma padronização do gênero. 

Por exemplo, ao escrever: “oi, td bem?” ou “tô c sdds d vc”, em tradução formal, escrevemos: “Oi, tudo bem?” e “Estou com saudades de você”. Caso você esteja habituado ao ambiente virtual, o entendimento da escrita abreviada certamente foi imediato.

A utilização de imagens nesse tipo de linguagem também é muito comum, como dito, já que queremos expressar sentimentos e chegar perto da oralidade. Elas tornam a conversa mais dinâmica e pessoal. Essa linguagem é muito popular entre os grupos dos adolescentes e isso é normal. A criação de um código específico entre os grupos funciona como uma afirmação de pertencimento, um sentimento necessário para a formação dos jovens.

A linguagem da internet atende a uma demanda de comunicação social, representando uma alternativa eficiente e inteligente, pois diminui a impessoalidade e a distância que o meio virtual pode causar.

O internetês atrapalha a aprendizagem?

Essa é uma dúvida levantada por muitos estudiosos da língua, mas alguns estudos apontam que os adolescentes aprendem e compreendem a importância de ajustar os diversos tipos de comunicação ao meio em que se encontram. Além disso, uma pesquisa realizada na Universidade de Coventry, na Inglaterra, concluiu que esse tipo de escrita ajuda a melhorar as habilidades, uma vez que os jovens escrevem mais que gerações anteriores.

No entanto, a preocupação maior deve existir em crianças que estão em processo de alfabetização. Elas costumam confundir esse tipo de registro, pois, até o 5º ano do Ensino Fundamental, é normal que elas escrevam em desacordo com a norma padrão.

Portanto, o cuidado com esses pequenos deve ser maior, tanto por parte da escola quanto por parte dos pais. A restrição por completo ao meio virtual não é uma opção, já que vivemos em um mundo tecnológico e a internet é a ferramenta dessa geração, mas o acompanhamento e a fiscalização são necessários.

Quais são os maiores desafios enfrentados?

O Centro para o Desenvolvimento da Sociedade de Informação apontou que, em 2019, aproximadamente 85% do público infantil brasileiro (crianças e adolescentes) está conectado a informações, entretenimento e outros segmentos da internet. Ainda que a linguagem da internet não seja um grande problema entre os adolescentes, a exposição intensa pode atrapalhar a compreensão de alguns conteúdos mais complexos.

Isso acontece porque surgem dificuldades em leituras de textos mais formais e que exigem mais concentração. Também é possível que eles entreguem atividades escolares em que haja desvios na escrita.

Como lidar com esses desafios?

Por meio do ensino, podemos buscar a conscientização de que essas abreviações devem ser utilizadas apenas no ambiente virtual. Aos professores cabem a alfabetização e a cobrança da utilização de uma linguagem formal nas escolas; aos pais, a observação do tempo de exposição às tecnologias e a observação da escrita, corrigindo-a sempre que necessário, além do incentivo à leitura em casa.

Ainda que a internet tenha o seu lado positivo, ela requer cuidados, especialmente com crianças e adolescentes. Para que essa ferramenta não seja um problema, elencamos algumas dicas que podem ajudar a manter um equilíbrio entre o mundo virtual e o real. Confira!

Conhecer bem os meios digitais

O conhecimento é libertador. Quando dominamos aquilo com que estamos lidando, fica mais fácil obter certo controle. Portanto, entender as ferramentas de comunicação, as redes sociais e os jogos permite adaptar horários específicos para que as crianças possam fazer uso, além de haver a possibilidade de bloquear certos conteúdos.

Debater esse assunto

Debater e expor a preocupação com relação à intensa exposição ao meio virtual com as próprias crianças e com os adolescentes faz com que elas reflitam sobre o assunto, ainda que de maneira mais superficial. É possível até que elas identifiquem o quanto isso pode prejudicá-las.

O debate sobre a utilização dos diferentes tipos de linguagens existentes em nossa sociedade é essencial para que elas possam identificar que cada lugar de convivência vai exigir uma adaptação do uso da língua.

Estimular a leitura de livros

Sabemos que a leitura é capaz de moldar o caráter, além de ser a principal prática para nos tornarmos bons escritores. Quando lemos, aprendemos, mesmo que de forma inconsciente, as estruturas formais das frases.

O estímulo à leitura deve iniciar na infância com contações de histórias quando o processo de alfabetização ainda está no início e, depois, avançar para livros infantis. Esse movimento estimula a criatividade infantil, despertando o interesse pela leitura. Para os adolescentes, o incentivo deve partir de obras mais complexas para um bom desenvolvimento do pensamento crítico.

Corrigir atentamente os exercícios feitos

A devolutiva das atividades aos alunos permite que eles analisem o que acertaram e o que erraram. Isso possibilita que eles se autoavaliem, o que contribui para um processo de aprendizagem pessoal mais eficiente.

Como vimos, o netspeak também precisa ser considerado como uma abordagem no nosso meio de comunicação. Dessa forma, não podemos considerá-lo um erro, pois ele segue a dinâmica de determinado espaço. O que podemos fazer é nos adaptarmos à sua existência.

Portanto, considerando que a linguagem da internet é uma realidade, devemos compreender que o papel da escola nos processos de aprendizagem deve priorizar o uso formal da linguagem e que cabem aos pais o controle e a fiscalização dos meios tecnológicos.

Gostou deste conteúdo? Você consegue equilibrar a utilização da internet por parte do seu filho? Deixe nos comentários como você lida com esse tema!

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